No momento em que este texto é escrito, inSANE permanece como uma das maiores interrogações da indústria de games. Senão, basta prestar atenção nos diversos fatores concorrentes para o desenvolvimento do alardeado projeto de Guillermo del Toro.
Em primeiro lugar, aparece a descrição pitoresca e terrivelmente atraente — mesmo que apenas para um nicho razoavelmente restrito de jogadores — de um horror largamente baseado na mitologia e na literatura inconfundível de H. P. Lovecraft. Isso nos conduziria através de um labirinto lotado de criaturas terríveis, horrores inimagináveis e protagonistas que, invariavelmente, acabam perdendo a razão ao encarar o desconhecido.
Em segundo lugar, há a declaração um tanto paradoxal do vice-presidente executivo da HQ, Danny Bilson. Segundo Bilson, inSANE seria completamente orientado para a ação, trazendo ainda “aventura” e uma boa dose de “cinema pipoca”. Não, isso realmente não parece combinar com a visão romântica e inequivocamente inspirada de del Toro.
Mas não fica só nisso, é claro. Entre as opiniões de uma produtora sedenta por voltar aos holofotes e de um mentor intelectual estelar, há ainda a Volition que, em última análise, é quem realmente deve reunir todas as informações difusas que se tem até o momento em um jogo minimamente coerente.
Entretanto, a orientação particular e precisa da Volition em relação ao projeto é tão conhecida quanto a fisiologia do temível Cthulhu — monstruosidade recorrente na literatura de Lovecraft, espécie de mistura entre um polvo gigante e... Enfim.
Ação “lovecraftiana”... Seria possível?
Ok, então as cartas até o momento são “ação” e “Lovecraft”. Seria possível extrair algo que fizesse sentido dessa improvável dupla? Não se trata de uma tarefa fácil, sem dúvida. E isso em razão do próprio estilo predominante nas obras de Lovecraft, sempre intimista, sempre lidando com os limites da mente e da consciência — quase invariavelmente acarretando o declínio de ambas.
Sendo um pouco mais material, as obras de Howard Philips Lovecraft normalmente envolvem um protagonista que se vê confrontado pelo desconhecido. Não apenas isso, na verdade. O típico “herói” de Lovecraft se vê consumido pela própria curiosidade, o que o leva diretamente até algum tipo de criatura mítica (como o Cthulhu) ou uma sabedoria ancestral de natureza desconhecida. De qualquer forma, é quase certo que o contato com o oculto produzirá um herói irremediavelmente insano (com um trocadilho proposital aqui).
Mas existe um problema bastante claro aqui: esse herói, o herói “lovecraftiano”, dificilmente é alguém afeito a proezas físicas. Dificilmente seria o sujeito que saltaria entre prédios, distribuiriaheadshots entre abominações e terminaria a sequência toda com uma frase espirituosa — algo como “Você é a doença, eu sou a cura” (Sylvester Stallone em “Stallone Cobra”). Longe disso.
Lovecraft lida principalmente com a natureza do medo, tratando normalmente de temas que, de tão bizarros, acabam derretendo o cérebro do espectador — embora também existam contos de natureza humorística, como “Herbert West: Reanimator”, uma releitura singular do mito criado pelo Frankenstein de Mary Shelley.
Horror e o mercado de massas
De qualquer forma, a assistência do autor do belíssimo “O Labirinto do Fauno” torna impossível não reservar alguma expectativa para inSANE. Resta agora saber quem realmente puxará as cordas no final: a inspiração de Guillermo del Toro, a busca pelo “vil metal” (dinheiro) da THQ ou a inclinação prática ainda insondável da desenvolvedora, a Volition.
E isso pode ser mais determinante do que poderia parecer a princípio. Quer dizer, em uma ponta do espectro de possibilidades existem jogos como Amnesia, cujo clima lembra muito a orientação das obras de Lovecraft.

Por outro lado, nós poderíamos acabar com um jogo superlotado de ação; no final você poderia então despachar um imenso chefe Cthulhu disparando em locais estratégicos e realizando as famigeradas ações de contexto — o negócio é manter as esperança de que algo assim esteja fora dos planos de qualquer um dos membros da trindade que atualmente desenvolve inSANE (Guillermo del Toro, THQ e Volition).
InSane não deve dar as caras antes de 2013. Fique ligado para mais novidades aqui no Baixaki Jogos. See ya!
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